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10 março 2016

Naufrágio

o som grave dos trovões estremece as estruturas do que sobrou da embarcação
gritos destroços trevas e clarões se misturam
naufrágio
a onda bravia lança as ruínas contra as pedras
e dança e balança e ondula contra a lança o corpo quase sem vida
no ápice
o silêncio
sozinho jaz
entre espuma e sangue
o tempo se reconfigura
um canto doce alivia as feridas
entorpece
inebria
a tempestade ainda precipita
mas somente notas serenas pairam sobre o oceano
então
lentamente
afunda
num mergulho rumo ao infinito
se entrega ao mar
sem medo do que virá
sabe que retorna ao útero
de sua mãe
Iemanjá

Isaac Ruy

11 agosto 2013

Oi?

Texto que encontrei nos rascunhos do blog e que não me lembro de ter escrito...
Não devia estar são! hahaha

De dentro do buraco
o oco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
ué cu


Isaac Ruy

23 maio 2013

Tramonto

Il regalo.
Avvolto in un brillante foglio dorato
Stava il suono più bello mai ascoltato…
La musica del carillon era tanto allegra, come il tempo delle risate e dei sogni.
Il vecchio carillon
Ancora suona le vecchie note della vecchia musica del vecchio carillon vecchio.

Il segreto.
Nascosto nell’angolo più alto della libreria
Stava il poema più bello mai letto…
I versi del libro erano tanto intensi, come il tempo degli amori e dei sogni.
Il vecchio libro di poesia
Ancora ha le stesse vecchie parole della vecchia poesia del vecchio libro vecchio.

Il tesoro
Lasciata in fondo all’ultimo cassetto
Stava l’immagine più bella mai vista.
La foto degli amici era tanto emozionante, come il tempo dei cambiamenti e dei sogni.
Il vecchio album di foto
Ancora conserva i vecchi ricordi delle vecchie foto del vecchio album vecchio.

Il vuoto.
Perduta nella più remota memoria
Stava la vita più bella mai vissuta…
L’anima di qualcuno era così unica, come il tempo delle paure e dei sogni.
La vecchia signora seduta sulla sedia
Ancora piange le vecchie lacrime della vecchia signora seduta sulla vecchia sedia vecchia.

Il niente.
Tutto è stato dimenticato…
Non ci sono più canzoni,
non ci sono più versi,
non ci sono più foto,
non c’è più l’anima,
non ci sono più sogni,
ma…
c’è ancora la vecchia vecchia.

Isaac Ruy




23 janeiro 2012

Pas de deux

A bailarina, desiludida,
apertou o corpete novo, escolheu o mais belo tutu, vestiu a meia, prendeu o cabelo num coque apertado, se maquiou, colocou a sapatilha de ponta, deu um laço em cada fita, passou a corda no pescoço
e deu sua última pirueta pendurada no ventilador de teto
- a pirueta mais longa de toda sua carreira.


Isaac Ruy



22 janeiro 2012

PÓ

Bastou um sorriso.
Desfiz-me em pó
e (in)ventei-me pelo ar.
Leve, me espalhei por seus pelos e cabelos:
leve-me, agora sou teu.
Deixe-me sentir suas curvas, seu balanço,
adentrar suas intimidades
antes que a chuva nos separe
e eu escorra
- solitário -
por seu corpo molhado
de volta ao barro da criação.

Isaac Ruy

04 novembro 2011

Top

Linda, nariz empinado, encarou as vitrines, não olhou para os preços, rica, olhar de modelo na passarela.
Elegante, batom e biquinho, desfilou pelo espelho, não olhou os defeitos, magra, rostinho de modelo de revista.
Sensual, lânguido rebolado, atravessou a avenida, não olhou para nada, fina, corpinho de  modelo atropelada.

Isaac Ruy

23 setembro 2011

05 setembro 2011

oh, lepse...

este sou eu,
frente a etnerf
com a imagem do presente

analepse do que fui
prolepse do que serei
recordações
e projeções

encarar a si mesmo
não faz bem ao ego
                                  nego

melhor seguirmos enganados
que encarar a realidade -
lindos
como
sempre

estamos apodrecendo
enquanto amaciamos a carne,
esticamos a pele
e maquiamos os vermes

a beleza está nos olhos de quem vê
tenho medo
prefiro não encarar
e se não estiver nos meus?

assim ao menos vou bonito,
imagino,
e que me esperem no fim da passarela
dessa 
vida
bela

e se insistem em perguntar
como vai?
respondo sempre
muito bem, obrigado

melhor mentir
a encarar os cacos
de fato
me mato?

não

aguardo a morte chegar
sorrindo
com sua cara 
que muito me agrada
de caveira
seca

ao menos vou melhor que ela

Isaac Ruy


18 agosto 2011

Rascunho novo

Joguei as cartas:
nenhum trunfo.
Mas o enforcado invertido
ainda me esbofeteava o olhar

Abandonei os problemas
debaixo do tapete,
Joguei os compromissos
no fundo do lixo

Guardei as recordações
no cofre e esqueci a senha;
as lembranças ruins
queimei e soprei as cinzas.

Me despedi dos amigos,
ignorei os inimigos
e fugi para o mais longe 
de tudo e todos

Ali, transparente de passado
de presente e futuro
estava pronto para rascunhar
mais uma possibilidade de vida.


Isaac Ruy




03 agosto 2011

Meu 1º poema...

Em um momento saudosista, publico, abaixo, meu 1º poema, escrito em 1996, ao 7 anos, e publicado na antologia "Filhos da Terra", em 1997.



Se eu fosse um pintor

Se eu fosse um pintor
pintaria uma rua inteira,
azul, verde, rosa
Parecendo uma brincadeira

Se eu fosse um pintor
Pintaria uma rua
de azul e branco
Como as cores da lua

Pintaria minha escola
branco e azul turquesa
E todo mundo falaria
que ficou uma beleza!

Pintaria uma cidade
como um famoso pintor
Pintaria colorido
todo mês mudando de cor

Se eu fosse um pintor safado
Eu pintaria uma rua escura
para moças e moços
namorarem sossegados

Se eu fosse
um pintor engraçado
Pintaria um prédio
todo listrado

Queria pintar uma cas
da cor de mel
Mas fiquei pensando
não combinaria com a cor do céu

Se eu fosse um pintor
Pintaria minha casa
da cor azul anil
e todo mundo me daria nota mil.

Isaac Ruy


09 junho 2011

Clara

Clara, sinto falta de tua voz, por isso sussurro ao teu ouvido. Porque não cantas mais? O que farei nos dias tristes, como esse, sem tua voz?
Clara, tua palidez lânguida exala uma paz que se reflete no silêncio amargo deste salão. Pelas flores em teu cabelo e teu vestido branco rendado poderia dizer que estás vestida para uma festa, se todos a tua volta não estivessem de luto.
Clara, agora só resta a treva. Nossos olhos já não se encontram, pois tuas pálpebras rígidas não se movem, assim como não se encontram nossos lábios, pois os teus mantêm essa sobriedade fria. 
Clara, não sei se ainda sonhas, mas enquanto dormes teu sono, saibas que fico, insone, a velar-te, sonhando acordado com o dia em que despertaremos juntos no paraíso.
Isaac Ruy
 

16 maio 2011

Vid'areia

...e a vida
se esvai
como...
...areia,
...levada pelo vento,
...alheia,
ou...
e
s
c
o
r
r
i
d
a

pelo gargalo 
da 
ampulheta
de quem
anseia
por mais 
um 
grão
.

Isaac Ruy



01 maio 2011

Colóquio Familiar

Que separem, de Ti, a personagem
Caiam as máscaras ante a verdade
E que seja feita a Tua vontade
Faço-Te homem, feito à minha imagem

Vive Tua vida com intensidade
leva a palavra com fé e coragem
Sofre torturas por uma mensagem
Morre na cruz por unanimidade

E quando voltares para o juízo
Com anjos, trombetas e alaridos
Irás escolher quem irá contigo

Alguns levarás para o paraíso
outros cairão em dor e gemidos
Tua balança anuncia o perigo

Isaac Ruy

Soneto simples criado em 2008 para o festivel cachoeirense de Sonetos do Espírito Santo, com ele ganhei uma menção honrosa.

19 março 2011

De faísca a carvão

faísca
é fogo
se pega
s'espalha
na palha
no teto
parede
tapete
entorta
derrete
chamusca
carpete
madeira
vasilha
consome'a
mobília
do quarto
da sala
despensa
banheiro
ta tud' a-
-cabado
enfeite
espelh' é
fumaça
é fogo
no rabo
no gato
inteiro
só sóbr' es
queleto
nem porta-
retrato
resiste
inteiro
caderno
sulfite
nem sombra
d' escrit' ou
desenho
nem roupa
sapat'ou
comid' e
bebida
'tá tudo
tostado
queimado
roído
'tá preto
'tá cinza
'tá tudo
fodido
nem foto
lembrança
remédi'ou
brinquedo
só resta
entulho
ruína
e medo
escada
tombada
E teto
no chão
o qu'era
seguro
agor' é
carvão

Isaac Ruy

06 março 2011

Perda

olhos fechados,
gritos abafados,
-a dor de uma perda não cura jamais - 
mas quem perde mais?
quem parte ou quem fica?

enquanto um suplica
outro pede paz...

Isaac Ruy

Música que compus para a trilha do espetáculo "As mortas de nossa ilha" em 2006.
Saudades do grupo e do espetáculo... aiai

 

27 dezembro 2010

E chovia

e se abaixava com a chuva que descia na guia, 
e a cada gota aguardava o beijo que emergia,
e toda nua dançava, e na água suja escorria,
e do gotejo que agia ela chupava e lambia,
e o corpo todo se enchia da enxurrada do dia,
se encaixava e girava, regozijava e tremia,
jorrando cheiro de orgia,
imaginava e mordia,
já enxarcada gemia, 
o objetivo atingia
gritava o quanto podia
e, germinada, sorria.




Isaac Ruy

16 dezembro 2010

The sound of silence

The Sound Of Silence 

Paul Simon

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.


"Fools" said I, "You do not know"
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.


Canção de Simon & Garfunkel
Linda letra e melodia...
me da uma saudade de não sei o que...
acompanhando a letra soa uma canção triste...
aiai... não encontrei nada legal para postar...
achei melhor indicar algo...
espero que gostem...
tanto quanto eu...
gosto...


24 novembro 2010

Dança na chuva

na noite
quente
as telhas cantam
com os pingos de chuva
gelada
e eu danço
solitário,
mas muito bem acompanhado,
obrigado,
pela alegria
que se espalha
no mormaço.


os olhos,
quase
fechados,
iludem e confundem
o corpo que gira,
enquanto flashes
passeiam
psicodelicamente
criando trilhas
reluzentes
e incostantes
de luz


agora,
no chão,
caído,
o vento frio
arrepia
e as roupas coladas ao corpo
desenham um nu
pudico
enquanto a mente
voa
ao som de iamamiwhoami
t


renasço,
então,
e a realidade transformada
assusta.
nada de livros queimados
teses e teorias
destruídas
apenas
o mesmo
de sempre.
respiro,
já é dia...

Isaac Ruy

05 outubro 2010

De manhã...

De manhã, quando o vento sopra por entre as folhas, traz consigo uma certa nostalgia que aparenta nunca acabar. As fotos me remetem à lembranças das quais quero esquecer. Extrair dessa alma errante, errada, desvairada.
A tarde…
A noite…
Levando-me assim à outras paragens!
Hoje, sou o vento que sopra por entre as folhas. Deixei meu rosto, meus olhos, minha vida, e refresquei minh’alma.

Nadson Way 

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02 agosto 2010

Túmulo

Parecia cena de filme.
Chovia.
Os guarda-chuvas pretos dominavam a cena.
Sons de choro, cochichos, olhares.
Depois tudo passou, tudo mudou.

Fazia sol.
O dia estava azulado.
Os pássaros cantavam ao som do farfalhar das árvores.
O cemitério estava vazio,
mas as rosas vermelhas estavam ali, intactas, relembrando o sangue derramado.
Seriam o único vestígio de vida,
se não fossem feitas de plástico.


Isaac Ruy