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15 novembro 2010

Cena noturna

Sabia que estava sendo seguida há algum tempo.
O perseguidor se mantia no escuro, ali podia se camuflar para não ser percebido.
A luz fraca da lamparina que ela carregava não chegava até o esconderijo dele, mas iluminava o bastante para que pudesse caminhar sem cair nas armadilhas do caminho.
O contraste entre a brilho âmbar do fogo aprisionado e a luz azul lunar que banhava a cena criava uma atmosfera de mistério.
A fita vermelha do cabelo já se perdera no percurso e os cabelos soltos agora dançavam no ar com o vento noturno.
Sentia que ele estava cada vez mais próximo.
Aflita, corria e nada ouvia além de seus próprios passos, enquanto, pelo escuro, o perseguidor se movimentava com uma sutileza muda, como se flutuasse.
Foi então que ela olhou para trás e viu, de relance, um brilho dourado em meio a escuridão.
Caiu, mas, apesar de ofegante, estava aliviada.
A lamparina caída atrás de si fazia com que sua sombra se estendesse até as trevas onde o perseguidor se escondia, criando uma ligação entre eles.
Sorriu.
__ É você, meu anjo da guarda?
(Silêncio)
__ Não...

Isaac Ruy



29 abril 2010

29 janeiro 2010

Acrobacirco



FAMÍLIA...


TOMATE, que não é legume é fruta...
XIRULINA, nasceu pra ser palhaça...
PIRULITO, conhecido por Linguiça, Lumbriga e Farelo...
CARMELA, a elegante dona do circo...
XIRULÃO, músico mandão e rabugento...
COPO-DE-LEITE, que não sabe nada de nada...

Isaac Ruy




24 janeiro 2010

Comentário

E viva a arte...
e viva a classe...
e viva o respeito...
e viva o teatro!

Quando deixarmos a competitividade e as intrigas pessoais de lado, talvez possamos discutir sobre o fazer teatral... enquanto isso nos entregamos a acusações e críticas cujo objetivo é exclusivamente atacar o trabalho alheio e valorizar o próprio.

Questionarmos sobre a razão de escolhermos tal profissão, o teatro, talvez nos conduza a uma reflexão sobre nossos fazeres, dizeres e pensares.

Não digo tais palavras a alguém em específico, mas não excluo ninguém, nem mesmo a mim, de tal reflexão.

Egoísmo e teatro são coisas que não combinam. Vamos criar e fazer arte minha gente...

Vamos ser felizes!


Isaac Ruy

Comentário postado por mim no blog BRINQUEDO NOTURNO, cuja mensagem pretendo que se estenda também aos leitores do RABISCOS ERRANTES.

14 janeiro 2010

13 janeiro 2010

Teatro em janeiro

Em janeiro teatro para crianças é o maior barato!

"Quem conta um conto aumenta um ponto"
No Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, em São José do Rio preto, dia 18 de janeiro!


"As aventuras de Pinócchio"
No Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, em São José do Rio preto, dia 19 de janeiro!

Isaac Ruy

No fundo...

todo mundo tem um pouco de palhaço...

08 janeiro 2010

O Circo


Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro de qualidade


Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto

Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto

Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona

Pra que a lua de carona também possa ver a festa


Refrão

Bem me lembro o trapezista que mortal era seu salto
Balançando lá no alto parecia de brinquedo

Mas fazia tanto medo que o Zezinho do Trombone

De renome consagrado esquecia o próprio nome

E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado


Refrão

Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo
Sem juízo e sem juízo fez feliz a todo mundo

Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria

Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria

Refrão

De chicote e cara feia domador fica mais forte
Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte
Terminando seu batente de repente a fera some

Domador que era valente noutras feras se consome

Seu amor indiferente, sua vida e sua fome


Refrão

Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina

Que o seu corpo é de senhora, que seu rosto é de menina

Quem chorava já não chora, quem cantava desafina

Porque a dança só termina quando a noite for embora


Vai, vai, vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira

Morre o circo, renasce na lembrança

Foi-se embora e eu ainda era criança

Sidney Miller


Homenagem e inspiração para um novo trabalho...
Desenho em aquarela de Fernando Weno.

Isaac Ruy

26 dezembro 2009

Meu bom José

Composição: Georges Moustaki
Olhe o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galileia
Casar com Debora ou com Sara
Meu bom Jose, voce podia
E nada disso acontecia,
Mas voce foi amar Maria
Voce podia ser simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
E se esconder com Maria
Meu bom jose voce podia
Ter muitos filhos com Maria
E teu oficio ensinar
Como teu pai sempre fazia
Porque sera meu bom Jose
Que esse teu pobre filho um dia
Andou com estranhas ideias
Que fizeram chorar Maria
Me lembro as vezes de voce
Meu bom Jose, meu pobre amigo
Que dessa vida so queria
Ser feliz com sua Maria
Georges Moustaki

homenagem...

19 setembro 2009

Mentiras nossas de cada dia

Tem a mentira que tem perna curta...
... e a mentira de nariz comprido!



Homenagem ao meu companheiro de cena, Pinocchio...

19 abril 2009

Último ato

Fria
a taça
cai
O desfazer agudo do cristal
se funde aos compassos do relógio
____________ ___em si maior]
Paz
O corpo jaz, agora mudo, sobre o carpete
________ ___de veludo azul-profundo]
O cachimbo repousa, ainda com as marcas de saliva
____________________ ___da última tragada ]
O cenário se desfaz
Recordações brincam em carrossel e
__________________ ____risos]
O eco de uma canção instiga as lágrimas
O vinho se espalha entre os cacos
______________ ___da cena]
O sangue ainda corre
Foco
O olhar mantém o monólogo
Catarse
Clímax
No chão, o respirar ofegante
_____________ ___pára]
O sonhar além do beijo
__________ __pára]
A vida...
___Não]
Essa não pára nunca
O espetáculo não pode parar
Silêncio
As cortinas se fecham sem aplausos


Isaac Ruy


Poesia escrita em setembro de 2007.
Dizem que minutos antes de morrer assistimos à toda nossa vida em apenas um segundo... ...acho que vou precisar de, pelo menos, alguns minutos de flash back...
...afinal não quero perder nenhum momento do espetáculo que vivi, dos cenários por que passei, das personagens com quem cruzei e dos improvisos que aprendi.