talvez eu te encontre hoje pela manhã, na fila do pão de queijo, da padaria da esquina; talvez esbarre em você no mercado, próximo à gôndola dos repolhos roxos; talvez eu te ceda a vez na fila do banco, e nossos olhares se cruzem, e surja aquilo que chamam de chama da paixão, e nos beijemos, ali mesmo, entre a fila preferencial e a porta giratória travada por alguém que esqueceu as chaves no bolso; talvez você me feche no cruzamento, no sinal amarelo, e, depois de dois ou três palavrões e alguns gestos obscenos, eu reconheça em você a pessoa dos meus sonhos e você veja em mim a pessoa que sempre sonhou; talvez, com algumas moedas, eu te ajude a completar o valor da passagem de ônibus e sinta que você é minha cara metade, e te acompanhe até sua casa, e nunca mais saia de lá; talvez eu trombe com você na esquina e derrube seus cadernos, suas caixas ou sua sacola de laranjas e, enquanto recolhemos uma a uma, troquemos sorrisos e pedidos de desculpa, e talvez, então, eu te pague um sorvete de coco queimado que quase ninguém gosta mas, coincidentemente, é o nosso preferido, e percebamos ali, com as casquinha derretendo, pingando e escorrendo entre os dedos, que somos almas gêmeas; talvez eu te veja na saída do cinema e te siga por mais de dezessete quarteirões até sua casa, rezando para que olhe para trás e se apaixone por mim, ou que não chame a polícia; talvez eu entre numa loja de móveis e eletrodomésticos, compre uma coisa qualquer, parcelada em 24 vezes sem juros, e te veja pagando um boleto atrasado, e percebamos, num instante, que fomos feitos um para o outro, e façamos sexo, escondidos, no depósito, entre as caixas de fogão 4 bocas e refrigeradores frost free; talvez, no caixa da farmácia, você me empreste uma caneta esferográfica, azul, para que eu assine o cheque, e, depois de agradecer, eu anote meu telefone na bula do seu remédio para cólicas renais; talvez nossas mãos se toquem, sem querer, na escada rolante, e percebamos, enquanto subimos, que já nos conhecemos de vidas passadas e nos casemos uma semana depois em Las Vegas ou num cartório qualquer de uma cidadezinha do interior; talvez já dançamos e fumamos e rimos e bebemos na mesma festa, mas, como dois loucos, não conseguimos nos ver enquanto esperávamos por ajuda, desacordados, na fila do banheiro ou na calçada mais próxima, e, depois, solitários e tristes, curtimos a ressaca, cada um em sua própria casa; ou talvez nunca tenhamos nos visto pessoalmente, mas, ao ler, você reconheça que essa carta foi escrita para você, e então me deseje todas as noites enquanto sonha comigo, ou enquanto toma banhos quentes demorados pensando em mim; talvez só encontre essa carta anos depois, perdida dentro de algum livro de autoajuda, em um sebo do centro da cidade, ou talvez você nem sequer leia, mas sinta pelo perfume deixado nessa carta que fomos feitos um para o outro; talvez já esteja com outra pessoa mas quer, ou um dia há de querer, estar comigo secretamente; apenas saiba que estou aqui, estou te esperando, independente da situação ou dos pormenores, não sou exigente, não me importo com particularidades, sejamos felizes, desde que nossos ascendentes combinem, claro.
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30 março 2016
12 maio 2014
RETOMADA
Depois de deixar o blog às moscas, tentarei publicar no mínimo 1 vez por semana.
Dar uma olhada e perceber que publiquei apenas 15 vezes em 2012 e 5 ano passado me fez perceber o quanto abandonei a literatura e foquei apenas no teatro.
Não parei de escrever, afinal dramaturgicamente estou num momento muito produtivo com 3 textos prontos, várias adaptações e bastante coisa em processo.
Apesar de já estarmos no meio de maio, espero que 2014 seja um ano inspirador para o blog.
Isaac Ruy
Dar uma olhada e perceber que publiquei apenas 15 vezes em 2012 e 5 ano passado me fez perceber o quanto abandonei a literatura e foquei apenas no teatro.
Não parei de escrever, afinal dramaturgicamente estou num momento muito produtivo com 3 textos prontos, várias adaptações e bastante coisa em processo.
Apesar de já estarmos no meio de maio, espero que 2014 seja um ano inspirador para o blog.
Isaac Ruy
11 agosto 2013
Oi?
Texto que encontrei nos rascunhos do blog e que não me lembro de ter escrito...
Não devia estar são! hahaha
De dentro do buraco
o oco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
ué cu
Isaac Ruy
Não devia estar são! hahaha
De dentro do buraco
o oco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
o eco
ué cu
Isaac Ruy
29 setembro 2011
Compartilhe essa expressão #3
Precisa de mais tempo para cumprir todas as suas tarefas e compromissos?
Compartilhe essa expressão:
Isaac Ruy
03 agosto 2011
Meu 1º poema...
Em um momento saudosista, publico, abaixo, meu 1º poema, escrito em 1996, ao 7 anos, e publicado na antologia "Filhos da Terra", em 1997.
Se eu fosse um pintor
Se eu fosse um pintor
pintaria uma rua inteira,
azul, verde, rosa
Parecendo uma brincadeira
Se eu fosse um pintor
Pintaria uma rua
de azul e branco
Como as cores da lua
Pintaria minha escola
branco e azul turquesa
E todo mundo falaria
que ficou uma beleza!
Pintaria uma cidade
como um famoso pintor
Pintaria colorido
todo mês mudando de cor
Se eu fosse um pintor safado
Eu pintaria uma rua escura
para moças e moços
namorarem sossegados
Se eu fosse
um pintor engraçado
Pintaria um prédio
todo listrado
Queria pintar uma cas
da cor de mel
Mas fiquei pensando
não combinaria com a cor do céu
Se eu fosse um pintor
Pintaria minha casa
da cor azul anil
e todo mundo me daria nota mil.
12 junho 2011
O sorvete
Os sabores, as cores, a cobertura e os granulados eram os melhores de todo o sempre.
A casquinha mais perfeita que existia na face da terra do mundo inteiro.
Os olhos brilhavam a observar a obra prima de sabor e beleza, só não brilhavam mais que as lágrimas que cairam, iluminadas de sol, quando o sorvete caiu.
18 maio 2011
03 maio 2011
Zelo paradoxal
Amava suas recordações, por isso guardava tudo em envelopes lacrados embalados em plástico bolha dentro de caixas fechadas e empacotadas com fita sobre o maleiro do guarda-roupa.
Ficavam protegidas, seguras, escondidas, intactas - e esquecidas.

Isaac Ruy
26 abril 2011
Poesias Dadaístas SENAI - Rio Preto
Poesias dadaístas construídas a partir do sorteio aleatório de palavras escritas pelos alunos do SENAI durante o "bate-papo" que ministrei intitulado Ler e Escrever: a Prática do desaprender.
Alguns dos verbos no infinitivo foram conjugados e a pontuação foi criada para conduzir o leitor. Além disso, foram acrescidas preposições, conjunções e artigos para que o texto ganhasse coerência e coesão.
COMENTEM SOBRE O RESULTADO!
COMENTEM SOBRE O RESULTADO!
Amor Andróide
Vida, Paz, Pensamento da Loucura:
Procedimento de Objetividade.
Vitória do Companheirismo e Liberdade?
Inútil...
Andar e Comer Coisas... Peidei!
Cabelo Toliminado Capacita a Deus?
Respeito, Esforço e Determinação,
Relembrar a Liberdade Gratinada
- Pelegão Luta e Aprende –
Vida e Coração Alucinam
Vencer e Persistir? Que Ilusão
Piranha Automotiva Curte Cachaça
Viver Ódio
Lutar Tesão
Amar e Comer Drogas
Legalização do Sexo
Beber Sorridente:
Adão Gostosa!
Gratinando a Ética da Fé na Solidão
Deus Feliz, que Amor
Felicidade...
Humildade...
Cantar e Correr
(CAI) - Manhã
Pensamentos Bugiganga
(em branco)
Arrastão das Trevas
Borracha na Poesia da Internet
Dormir, Sentir e Matar
Bilu Supera Ornitorrinco
Compreensão Sobrenatural
Guaxinim Inconsciente Reflexo do Sistema
Revelação:
Bilu “NERD” Planta e Dedilha.
Terra na Mesa? Amei!
Reggae Confunde Palmeiras
Realização e Felicidade Amam e Malham
Amor inconstante
Au Au
Barreiras de Liberdade.
Frango Beleza!
Dormir, Sentir, Matar
Pensar, Crescer, Acreditar.
Peidei e Anoiteceu.
Computador do Bilu
Vampiro que Dorme Rolando no Infinito
Beijo!!!
Infestar Zagadaha...
Fugir, Agir, Enroscar
Medo...
Conhecer Ronaldo Seria Sono.
Andar?
Equivoquei...
Reflita Carcamango,
Caneta Conhece “NADA”
Lindamente Bosta.
Viver!
Bilu, Pátria e Música, que Confusão
Fluxo e Sexo Miau
Levemente Carente
Santos do Amor
Curtir e Estar: Maconha da Saudade
Entardecer e Curtir, NÃO Estar e Fugir.
Jesus Moiado
Outros Bilu Conhece
Lápis com Saliva Enrosca na Pátria
Verbo do Amor Inteligentíssimo
Mais Confusão ao Viver!
Compreensão Alta e Inescrupulosa...
Música Zika Bom Nefasto
Você Que Esteja Airoso, Bilu!
Amanhecer... Pense em Agir
Crer no Mentecapto
Ser Pérfida
Vida...
(EPT) - Manhã
Vida de Ganso Magrão
Louco Viver
Competência, Hum...
No Futuro Ganhar Catapora
Doidera “ser” e Gostar de Andar Gatão.
Loucura É Poder Amar, Agir e Talvez Beber
Fumar Solidão Dá, Lamentavelmente.
Comer Onze, Tchutchuco Morto,
Ser Renascimento Sacana.
Barba na Macumba e
Demônio do Torrone lê:
Amar Esporte
Groselha em Constante Mudança
Sangue Follow me
Pensar e Superar Lucas Felicidade!
Superar “Zika”? Louve Rufiãozão...
Louco Loucura da Cadeira
Ser Rodolfo e Viver Amor
Poder da Xoxota Ser Música.
Galinha na Poltrona Sucumbiu ao Fogo
Amor, Superação de Amar
Oi, Perdão ET Kauê,
Parusia, sabe o que é?
Escolha Sexo!
Sabedoria Estava Apaixonadamente Mulher
Excitação, Amor do Cemitério,
Usinar
Humm... Tornear e Imaginar Orgasmo
Felicidade Homossexual Corre
Deus 1 Real Censura Amizade Especial
No Jardim das Oliveiras
Ser e Estar do Mingau Bob Moreno
09 abril 2011
Fotos de Isaac Ruy
PEIXE NUVEM - tirada com o celular
VAGOS VAGÕES VAGOS - estação ferroviária de Catanduva
ÉDEN - fazenda de meus avós maternos
ACORDE(ON) - músico que tocava na calçada da Liberdade, São Paulo.
Isaac Ruy
06 março 2011
Reportagem "Ouro da Casa"
Série ‘Ouro da Casa’ investiga quais são os novos talentos literários
Francine Moreno
‘A arte é uma coisa só, está interligada’
Quando foi lançado o concurso “Filhos da Terra”, em Fernandópolis, ninguém imaginava que um talento da literatura seria revelado. Isaac de Faria Ruy cursava a 2º série do ensino fundamental quando venceu o concurso com o poema “Se eu Fosse Pintor”, escrito no ano anterior. Incentivado pela professora da época, nunca mais parou. Anos depois, formado em Letras (português/italiano) na Unesp, Ruy, aos 22 anos, já venceu dois concursos de relativa expressão.
Levou para casa, em 2008 e 2009, a menção distinta no Prêmio Nosside Internacional de Poesia, único do gênero com alcance global. O prêmio, que baseia-se no plurilinguismo, com abertura a todas as línguas do mundo, premiou, respectivamente, os poemas “Antes de Ir ao Baile” e “Caso”. Rosalie Gallo y Sanches, secretária do Nosside para o Brasil e Países de Língua Portuguesa, destaca o desempenho de Ruy. “O prêmio representa o reconhecimento internacional que qualquer escritor brasileiro gostaria de ter. Isaac tem uma grande sensibilidade e merece ser conhecido.”
Nascido em 18 de novembro de 1988, atualmente Ruy cursa francês na Unesp e alimenta seu blog “Rabiscos Errantes” (www.rabiscoserrantes.blogspot.com) com poemas e crônicas, às vezes críticos, outras sarcásticos ou com uma boa pitada de humor. Cada texto vem acompanhado por uma figura, foto ou desenho. A inspiração do blog surgiu depois de ver algumas fotografias de sua avó, que, na época, já não lhe serviam muito, visto que pouco de sua memória sobrevivia ao Alzheimer. “Escrevi sobre um velhinho e sua amada”, disse.
Hoje, seu trabalho é focado em poesias, pequenos contos e uma nova linha da literatura chamada nanoconto. Desafio ao exercício de concisão, o nanoconto conta com, no máximo, 50 palavras. Paralelamente, Ruy faz parte da comissão editorial de uma revista literária da Unesp: a Terceira Imagem. Ele também tem um texto publicado em um folheto publicado no Concurso Cachoeirense de Sonetos, no Espírito Santo, e parte do seu blog está em processo para formatação de um livro.
A inspiração atual dos seus textos está seguindo uma linha: voltada para a velhice, esquecimento, nostalgia, fim da vida e reflexão. Ele explica que o entusiamo para escrever vem do dia a dia e da forma como as pessoas vivem e falam. Neste caso, é preciso pegar um guardanapo de papel ou criar uma música para, quando chegar em casa, escrever a ideia. “Às vezes, pego cadernos antigos e inovo os poemas.”
Na sua opinião, a literatura só não é mais requisitada por falta de apoio dos próprios moradores de Rio Preto. “Muitas vezes percebo um certo desdém dos leitores rio-pretenses. A biblioteca municipal, por exemplo, tem muitas obras de escritores da casa que ficam esquecidas nas prateleiras.” Por outro lado, ele percebe que há muitos profissionais na ativa e trabalhando em cima de textos bons. “A Revista Terceira Imagem, da Unesp, é um caminho. Incentivamos alunos e a comunidade a escrever.”
Além de escritor, Ruy ainda é professor de teatro no COC, de Rio Preto, e em uma escola estadual em Fernandópolis. Na sua cidade natal, tem uma companhia teatral chamada Vozes. Por aqui, atua como ator e produtor na Cia. Girasonhos. Seu espetáculo “Dooutrolado” foi selecionado para o Festival Internacional de Teatro (FIT). Também é desenhista e fotógrafo nas horas vagas. “A arte é uma coisa só. A literatura, o teatro e as artes visuais se interligam, servem de inspiração e incentivo.” O jovem talento afirma que tem vontade de publicar seus livros e ouvir a opinião dos leitores. “Retorno é sempre positivo”.
Ver reportagem inteira AQUI!
Errata:
i) O poema do Nósside 2009 é "Ocaso" e não "Caso"
ii) A revista Literária da UNESP é "Terceira Margem" e não "Terceira Imagem"
iii) Dou aulas no COC Fernandópolis e não Rio Preto
A entrevista foi pelo celular, por isso os errinhos, mas adorei a matéria... leiam na íntegra!
03 fevereiro 2011
Discurso
Abaixo está o discurso que escrevi e li, enquanto orador, na cerimônia de colação de grau do IBILCE/ UNESP. Estavam presentes os formandos dos cursos de Licenciatura em Letras, Ciências da Computação, Ciências Biológicas, Química Ambiental e Física Biológica.
Espero que gostem...
Para aqueles que quiserem publicar trechos ou o texto na íntegra, peço que dêem os créditos... não foi fácil escrever!
Boa noite senhoras e senhores, em primeiro lugar gostaria de agradecer a presença de todos, mas principalmente a paciência dos que aqui ainda estão, afinal sabemos que a cerimônia de colação de grau não é um dos eventos mais divertidos que temos o prazer de prestigiar, mas, com certeza, será um dos mais emocionantes e memoráveis para muitos, pois representa o resultado de anos de estudo e desenvolvimento de habilidades e conhecimento.
Poderia fazer um longo discurso de 3 horas, usando todo o jargão rebuscado e científico que aprendi em meus 5 anos de curso para convencê-los, por cansaço, que as carreiras que escolhemos serão algumas das ocupações mais nobres e reconhecidas da sociedade, contudo seria muita falta de bom senso começar a maquiar a realidade logo em minha primeira noite de formado.
Saibam que estamos saindo hoje formados em cursos que são, cada um em sua especialidade e particularidade, os fomentadores de uma sociedade melhor e possibilitadores do acesso à educação, à informação, à proteção ambiental e aos avanços científicos e tecnológicos - apesar de ainda termos um reconhecimento aquém do merecido. Entretanto, deixo para que cada um dos formandos reflita por si só o que poderá tirar de proveito e aplicabilidade dos ensinamentos advindos desses anos na universidade. O modo, os meios e a finalidade dependerão exclusivamente dos objetivos que tinham ao chegar para o primeiro dia de aula e dos que têm agora, ao sair com o diploma na mão.
O poeta português Fernando Pessoa nos inspira em seus versos afirmando que “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. “
Esses versos retratam bem o importante momento pelo qual estamos passando: intenso, inexplicável, Incomparável. Assim foi o tempo em que estivemos unidos enquanto colegas de sala, companheiros de turma e amigos pra vida; e assim é também o dia de hoje, dia de darmos mais um passo nesse caminho universitário, talvez o último, ou apenas um dos primeiros de muitos que se seguirão. O mais interessante e importante é que cada um de nós encarou esta experiência de maneira diferente. Alguns se envolveram em atividades políticas, outros em culturais, alguns estavam em todas as festas e outros não perdiam uma conferência, alguns gostariam de ter feito outro curso, outros encontraram o que realmente querem fazer por toda a vida. Assistimos às mesmas aulas, mas cada um da turma manteve sua personalidade, seu modo de encarar o curso e suas diferenças. E é bem verdade que nem sempre convivemos muito bem com elas, mas conviver com essa heterogeneidade de pessoas possibilitou que também nos transformássemos e nos preparássemos para um mundo que vai além do que gira em torno do nosso próprio umbigo.
Se agora olharmos para essa pessoa ao nosso lado, vestida com essa beca quente e engraçada, mal podemos relembrar o estranho que conhecemos na primeira semana em que chegamos à universidade. Mudamos tanto nesses anos para que hoje, sentados nessas cadeiras esperando para pegar o canudo, nos tornássemos iguais.
Um ideal de vida nos uniu, fez-nos companheiros de uma longa e árdua caminhada. Esse mesmo ideal vai, um dia, separar alguns de nós. Talvez ocorra hoje, amanhã, daqui a anos... porque é assim, cada um tem um destino a seguir. Nesses anos de graduação muitos permaneceram, alguns já ficaram no percurso, outros se agregaram. Hoje a saudade de um tempo que ainda não passou, que ainda acontece, nos invade, pois, infelizmente, o tempo tudo muda e nos faz esquecer aquilo que agora nos parece o mais importante: os amigos.
Pode ser que um dia nossos filhos olhem as fotos sorridentes dessa época e perguntem: "Pai, mãe, quem são esses aqui da foto?", e então responderemos "esses são meus amigos..." ainda que alguns responderão "guarda essa porcaria de foto moleque e vai buscar minha cerveja", não importará, o que importa é que hoje, aqui e agora existimos para fazer bem aqueles que nos cercam. E ainda que restem apenas fragmentos de memória, ficarão em nós marcas inapagáveis da presença, convivência e experiências desses amigos. Muito obrigado por fazer parte da minha história e permitir que eu faça parte de vocês.
Hoje também é o dia de olhar para trás e agradecer aos nossos pais, ou àqueles que cumpriram sua função, que, além de serem também nossos amigos, se sacrificaram, incentivaram e nos pressionaram para que estivéssemos aqui. A vocês que estiveram ao nosso lado e que agora estão aí sentados nos guardando com olhares orgulhosos e máquinas fotográficas frenéticas, somos gratos por tudo.
Não podemos nos esquecer de agradecer também àqueles que nos transmitiram o conhecimento, nossos mestres. Um muito obrigado por terem partilhado conosco parte do que sabem. De alguns nos tornamos amigos, outros se transformaram em exemplo, alguns em mito, mas no fim, todos contribuíram para nossa formação.
Por falar em formação, com o tempo aprendemos que a universidade também pode ser muito mais que assistir ás aulas e voltar para casa; aprendemos que as mesas da cantina são mais usadas para conversar que para comer, assim como algumas salinhas da biblioteca também são; aprendemos que ter posicionamento político atrairá a antipatia de alguns, mas não tê-lo também terá o mesmo efeito; que algumas provas sempre nos surpreenderão por sua inesperada complexidade ou simplicidade, ainda que seja mais pela primeira opção que pela segunda; além de muitas outras coisas também tomamos ciência de que pertencemos a uma classe privilegiada. São poucos os que chegam aonde chegamos e vencem como vencemos os obstáculos e barreiras que nos foram impostos desde a prova do vestibular.
Devemos às melhores condições que nos foram oferecidas, às oportunidades que nos foram proporcionadas e, finalmente, à instituição que nos concedeu este espaço, uma universidade com os mais variados problemas e virtudes e da qual nos vangloriamos de sair com um diploma. Somos formados pela UNESP.
Sua função vai muito além do mero informar, pois é o espaço, por excelência, do desenvolvimento e discussão de saberes novos ou já estabelecidos. É nela que está a pesquisa científica, a extensão e o ensino. Que há problemas, quem não sabe? Mas será que não é justamente este universo de dificuldades que nos faz diferentes? Mais sensíveis com que se passa também fora da instituição e um pouco mais críticos com o que acontece a nossa volta?
Está ou pelo menos deveria estar implícito a todos que, na verdade, nossos estudos não são gratuitos, e que é preciso dar retorno à sociedade, pois não é o estado benevolente que nos concede a graça de freqüentarmos as salas de aula. A educação é um direito de cada um de nós dentro da sociedade que sustenta esta Universidade, que paga por ela.
É a educação o grande trunfo para igualdade e a verdadeira democracia. Homens educados são homens que possuem recursos para colocar em liberdade o seu pensamento e a liberdade maior é a que se conquista através de idéias, que não podem ser destruídas pela força e que, dependendo de sua intensidade, imortalizam-se geração após geração e mantém vivos aqueles que inicialmente as acenderam.
E afinal, em que consiste este momento senão em um grande "Viva a Educação?" A conclusão de um curso superior em um país como o Brasil, com todas suas contradições e desigualdades sociais, significa a própria vitória da Educação: a vitória das idéias. A nossa vitória.
Para finalizar, gostaria de enfatizar que esse momento não é um momento de tristeza porque nos despedimos. É um momento de admitir que a vida de cada um de nós é feita de fases. Tudo muda. O mundo muda, mudamos nós. Amadurecemos e não envelhecemos, só envelhece quem quer. Nossas prioridades mudam e mudarão, nossa leitura de mundo também. Não devemos nos entristecer porque as coisas acabaram, mas agradecermos porque elas existiram. Aliás, nada aqui acabou, muito pelo contrário, esse é tão somente o começo, o ponto de partida para uma geração com vontade e disposição para mudar as coisas. Mudar a própria sina e mudar a realidade que nos cerca.
Ainda gostaria de falar de tanta coisa, de relembrar tantos fatos e situações, mas como não pretendo tornar a cerimônia mais longa do que já é, faço aqui, inspirado por Ricardo Ramos um dos maiores e mais ousados contistas do nosso tempo, um circuito que não será fechado, pois é apenas o começo. E começa assim:
Vestibular, ansiedade, lista, matrícula, kit bixo, filiações, pedágio, trote, integração, calouros, veteranos, amigos, hino, moradia, pensão, república, busão, aula trote, festa em república, festa em chácara, pessoas novas, diferentes, estranhas, legais, professores, boatos, mitos, aulas, provas, blocos, auditórios, anfi-teatros, cantinas, biblioteca, livros, multa, salinhas, conversa, psiu!, bronca, , CA’s, DAF, assembléias, paralisações, greve, opiniões, cartazes, corredores, escadas, gatos, teorias, teóricos, teoremas, trabalhos em grupo, monografias, pesquisa, murais, mais festas, mais provas, notas, risadas, lágrimas, SUB’s, REC’s, DP’s, madrugadas em claro, pólo, laboratórios, amigos, xérox, xérox reduzido, semanas, congressos, simpósios, churrascos, caronas, jogos, intercursos, interunesp, coral, teatro, sarais, apelidos, estágios, TCC, rifas, formatura, convites, colação, discurso, aqui, agora e...muito obrigado.
18 novembro 2010
09 agosto 2010
15 julho 2010
Saudosismo 2
2º é um poema que escrevi com 13 anos, na 8ª série, para a matéria de portugês também.
A ÚLTIMA NOTA
Quando não se escutar
a flauta do vento
e o vilono das chuvas,
a trova das selvas
e os sonetos do mar...
Quando se calar a cantiga das cachoeiras
e a rima dos risos,
cessar o piano da noite
e o violão do dia
e só restar silêncio e nostalgia...
Quando o último ruído for um suspiro
Aí podemos dizer que esta foi
a ultima nota
da orquestra da vida
Isaac Ruy
Deu saudade dessa época...
Saudosismo 1
Hoje revirando alguns papéis em casa achei algumas coisas que escrevi e que achei que valem a pena ser publicadas...
1º uma paródia que escrevi com 11 anos, na 6ªsérie, com um grupo de amigos para um trabalho de português. Fizemos uma paródia e colocamos os nomes dos professores...
Cidão - Matemática
João - Geografia
Celly - História
Ângelo - Ciências
Dulcinei - Artes
Maria - Inglês
Sueli - Português
Vanda - Educação Física
Música: "Não aprendi dizer adeus" - Leandro e Leonardo
Paródia: "Não aprendi nada esse ano" - Alan, Adriano, Isaac e Rodrigo
Não aprendi em português
Não sei se vou passar
na matéria do Cidão
vou ficar de recuperação
Já estou cansado de estudar
Refrão:
Não vou fazer tarefa
negativo eu levarei
e no final do ano
pra janeiro ficarei
e depois apanharei... (2x)
Não consigo me concentrar
notas baixar vou tirar
Na prova do "seu" João
vou tirar um vermelhão
Na matéria da Celly
eu não posso repetir
com "seu" Ângelo e Ducinei
Com Maria e Sueli
Eu não vou conseguir
Com a Vanda eu já sei
Que azul eu tirarei
Refrão:
Não vou fazer tarefa
negativo eu levarei
e no final do ano
pra janeiro ficarei
e depois apanharei... (2x) Isaac Ruy
12 julho 2010
Descansando em paz
Percebeu que as pálpebras já não aguentavam mais.
Sentia frio e o único som que ouvia era sua leve respiração...
então foi em direção à luz...
apagou e deitou debaixo do cobertor para dormir no quarto silencioso.
Isaac Ruy
07 julho 2010
Pássaro
E voava...
e conhecia pessoas,
e conhecia lugares,
e se encantava com as particularidades
e igualdades de tudo e todos que via.
Então percebeu que era diferente.
Não conseguia, e nem queria, fazer um ninho...
sempre que se sentia sufocado... voava novamente...
preferia ser livre...
e, ainda que não fosse compreendido,
preferia não manter laços.
E assim fazia.
E voava...
E voava...
Voava...
"Morrerá sozinho..." - pensavam
Mas ele sabia, que quando tudo acabasse,
quando não houvesse mais céus e nem asas...
Teria sempre algum ninho para retornar...
Isaac Ruy
Talvez seja hora de voar...
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