31 agosto 2009

Aparências

Não queria ninguém comentando.
O vestido estava curto demais.
O decote estava grande demais.
Depois de lhe presentear com um olho roxo, comprou-lhe um belo óculos de sol.
Não queria ninguém comentando.
Isaac Ruy

29 agosto 2009

Camuflagem

Sempre usou preto - a discrição era algo que sempre admirou.
Uma qualidade, um dom, uma dádiva.
Um dia, era noite, foi atropelada por um carro vermelho sangue.

Isaac Ruy

Mais um nanoconto publicado no blog: nanocontos.blogspot.com

Pedra

sobre
pedra
sobre
pedra

sobre
pedra
sobre
pedra

sobre
pedra
sobre

pedra
sobra



Isaac Ruy

21 agosto 2009

Sobre o tempo e seu fim

tic... tac... tic... tac...
tic... tac... tic... tac...
tic... tac... tic... tic...
tic... tic... tic... tic...
tic... tic...
tuc.
Isaac Ruy

09 agosto 2009

Gota

a
cada
gota
canto
como
um
conta-
gotas
conta
as
gotas
no
canto
do
copo
e
gosto
como
o
gosto
do
canto
gasta
o
gesto
gasto
do
conta-
gotas
que
conta
e
canta
como
eu
canto
quando
conto
gota
a 
gota
as
gotas
do
conta-
gotas
no
canto
do
copo

Isaac Ruy

18 julho 2009

Recíproca

O jantar começou em silêncio.
Ela estava séria, como sempre.
Ele sorria imaginando os efeitos da água sanitária na sopa dela.
Queria vê-la morrer um pouco a cada dia.
Mal sabia ele do vidro moído que sempre ingeria.
O amor acabou, mas a recíproca ainda era a mesma.
O jantar terminou em silêncio.
Isaac Ruy
Mais uma contribuição para o blog coletivo
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16 julho 2009

Poética do Eremita

.

No deserto
estão secas
as pedras que no mar se molhavam
a semelhança confunde o eremita
que solitário demais
passou o tempo
entregando-se
à solitária memória
aqui a pedra seca
para o eremita
não perdeu
a qualidade úmida
de poder ter estado
ao pé do mar.


Fiama Hasse Pais Brandão



Poema de Fiama Hasse Pais Brandão...
belamente musicado por Adriana Calcanhotto no violão cello...
tanto o poema quanto a canção são incríveis...
Veja o vídeo da canção AQUI!

Isaac Ruy

13 julho 2009

Ocaso


O presente.
Embrulhado em um brilhante papel dourado
estava o som mais belo que já ouvira...
A canção da caixa de música era tão alegre quanto o tempo de [risos e sonhos era.

A velha caixa de música
ainda soa as mesmas velhas notas da velha música da velha [caixa velha.

O segredo.
Escondido na parte mais alta da estante
ficava o poema mais belo que já lera...
Os versos do livro eram tão intensos quanto o tempo de amores e [sonhos era.

O velho livro de poesia
ainda tem as mesmas velhas palavras das velhas poesias do [velho livro velho.

O tesouro.
Guardada no fundo da última gaveta
deixava a imagem mais bela que já vira.
A foto dos amigos era tão emocionante quanto o tempo de [mudanças e sonhos era.

O velho álbum de fotos
ainda guarda as velhas lembranças das velhas fotos do velho [álbum velho.

O vazio.
Perdida na mais remota memória
estava a vida mais bela que vivera...
A alma de alguém era tão única quanto o tempo de medos e [sonhos era.

A velha mulher sentada na cadeira
ainda chora as velhas lágrimas da velha mulher sentada na [velha cadeira velha.

O nada.
Tudo estava esquecido...
não havia mais canção,
não havia mais versos,
não havia mais fotos,
não havia mais alma,
não havia mais sonhos,

mas... ainda havia a velha velha.




.Isaac Ruy



Poema com o qual recebi uma menção distinta no Prêmio Internacional de Poesia Nosside 2009
Isaac Ruy
Se a poesia faz refletir... a foto reflete!

12 julho 2009

Fuga

.
Cansada de tantas brigas resolveu sair de casa.
Voltou.
Esquecera de pôr o lixo para fora.


Isaac Ruy
Minha primeira contribuição para o blog coletivo nanocontos.blogspot.com.
Uma ótima idéia para partilhar arte.
Participo e indico.

11 julho 2009

Lareira

.
em
poucos
segundos
o
beijo
ardente
transformou-se
em
cinzas
retorcidas
no
fogo
incandescente

enquanto a gélida lágrima apagava a lembrança fria do instante


Isaac Ruy