04 agosto 2011

03 agosto 2011

Meu 1º poema...

Em um momento saudosista, publico, abaixo, meu 1º poema, escrito em 1996, ao 7 anos, e publicado na antologia "Filhos da Terra", em 1997.



Se eu fosse um pintor

Se eu fosse um pintor
pintaria uma rua inteira,
azul, verde, rosa
Parecendo uma brincadeira

Se eu fosse um pintor
Pintaria uma rua
de azul e branco
Como as cores da lua

Pintaria minha escola
branco e azul turquesa
E todo mundo falaria
que ficou uma beleza!

Pintaria uma cidade
como um famoso pintor
Pintaria colorido
todo mês mudando de cor

Se eu fosse um pintor safado
Eu pintaria uma rua escura
para moças e moços
namorarem sossegados

Se eu fosse
um pintor engraçado
Pintaria um prédio
todo listrado

Queria pintar uma cas
da cor de mel
Mas fiquei pensando
não combinaria com a cor do céu

Se eu fosse um pintor
Pintaria minha casa
da cor azul anil
e todo mundo me daria nota mil.

Isaac Ruy


02 agosto 2011

Oremos...


Grafite na parede de um campinho de futebol no bairro Santana em São Paulo.

25 julho 2011

A notícia mais surpreendente dos últimos tempos

Ana sempre sabia de tudo.

"Ana, o que conta de novo?" E ela mastigava informações sobre a vida alheia.
"Ana, como vai?" E ela gargarejava fofocas e boatos que ouvira por aí.
"Ana, onde fica o banheiro?" E ela vomitava notícias quentíssimas que descobrira sem querer.

Até que um dia...
"Ana, qual a novidade de hoje?"
_ Hoje não tenho nenhuma novidade.

Pasmou a todos com a notícia mais surpreendente dos últimos tempos!

Isaac Ruy

18 julho 2011

Segredo Senil III

Trancou a porta do quarto antes de abrir o esconderijo, não queria ninguém importunando o momento.
Tirou, com todo cuidado, a caixa amarela, de trás da vitrola, e a chave de bronze, do fundo da gaveta.
O som do destrancar enferrujado revelava os anos em que não se encontravam: a chave e a caixa, ele e a mulher amada.
Ficou a observar com os olhos marejados de saudade a foto até que se lembrou de tombar o retrato da falecida que estava sobre o criado mudo.
"É melhor que vocês duas continuem sem se ver..."


Isaac Ruy

14 julho 2011

Segredo Senil II

Saiu de casa com a saia longa e a bolsa grande, não queria ninguém do bairro comentando que lhe faltava pudor.
Entrou na condução, mostrou a carteira do idoso e foi parar do outro lado da cidade
Antes de sair de casa, como fazia todas as sextas e sábados, chamou o marido, mas ele nunca ia, já estava afastado da igreja havia anos.
Chegando no salão, tirou a saia, botou o conjunto de paetê e o sapato que estava escondido na bolsa e caiu no samba.
"Porque eu também sou filha de Deus, meu bem...".


Isaac Ruy 

 

12 julho 2011

Segredo Senil I

Saiu da mesa de jantar lenta e cuidadosamente, não queria que ninguém percebesse o que escondia e estragasse tudo.
A família continuou à mesa, terminando o jantar, enquanto ela seguia para o banheiro.
A neta ainda perguntou se estava tudo bem, mas nem se deu o trabalho de olhar para trás e responder.
Trancou a porta e jogou os comprimidos e cápsulas da osteoporose e do mal de alzheimer na descarga.
"Quando melhorar essa dor nas costas vou fugir dessas pessoas estranhas que querem me envenenar com esses remédios"

Isaac Ruy

 

11 julho 2011

Sensualizar

Colocou o vestido curto e resolveu sensualizar - só não contava com o frio que faria suas pernas tremerem, seus joelhos endurecerem e seu rosto contrair.
Acabou encolhida, e nada sensual, perto da escada, esperando o ônibus.

Isaac Ruy

06 julho 2011

Dom

Capitu chegou em casa, despenteada, às 13h00 do dia seguinte.
Explicou as razões, mas sabia que Bento não acreditara na mentira que inventara sobre onde, e com quem, passara a noite - provavelmente pelos olhos de ressaca que a denunciavam sobre a farra da madrugada.
Foi escovar os cabelos e fingiu que nada aconteceu. Ele também.
Era esse dom, de fingir, que mantinha vivo esse romance casmurro.

Isaac Ruy