29 agosto 2009

Pedra

sobre
pedra
sobre
pedra

sobre
pedra
sobre
pedra

sobre
pedra
sobre

pedra
sobra
pó


Isaac Ruy

21 agosto 2009

Sobre o tempo e seu fim

tic... tac... tic... tac...
tic... tac... tic... tac...
tic... tac... tic... tic...
tic... tic... tic... tic...
tic... tic...
tuc.
Isaac Ruy

09 agosto 2009

Gota

a
cada
gota
canto
como
um
conta-
gotas
conta
as
gotas
no
canto
do
copo
e
gosto
como
o
gosto
do
canto
gasta
o
gesto
gasto
do
conta-
gotas
que
conta
e
canta
como
eu
canto
quando
conto
gota
a 
gota
as
gotas
do
conta-
gotas
no
canto
do
copo

Isaac Ruy

18 julho 2009

Recíproca

O jantar começou em silêncio.
Ela estava séria, como sempre.
Ele sorria imaginando os efeitos da água sanitária na sopa dela.
Queria vê-la morrer um pouco a cada dia.
Mal sabia ele do vidro moído que sempre ingeria.
O amor acabou, mas a recíproca ainda era a mesma.
O jantar terminou em silêncio.
Isaac Ruy
Mais uma contribuição para o blog coletivo
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16 julho 2009

Poética do Eremita

.

No deserto
estão secas
as pedras que no mar se molhavam
a semelhança confunde o eremita
que solitário demais
passou o tempo
entregando-se
à solitária memória
aqui a pedra seca
para o eremita
não perdeu
a qualidade úmida
de poder ter estado
ao pé do mar.


Fiama Hasse Pais Brandão



Poema de Fiama Hasse Pais Brandão...
belamente musicado por Adriana Calcanhotto no violão cello...
tanto o poema quanto a canção são incríveis...
Veja o vídeo da canção AQUI!

Isaac Ruy

13 julho 2009

Ocaso


O presente.
Embrulhado em um brilhante papel dourado
estava o som mais belo que já ouvira...
A canção da caixa de música era tão alegre quanto o tempo de [risos e sonhos era.

A velha caixa de música
ainda soa as mesmas velhas notas da velha música da velha [caixa velha.

O segredo.
Escondido na parte mais alta da estante
ficava o poema mais belo que já lera...
Os versos do livro eram tão intensos quanto o tempo de amores e [sonhos era.

O velho livro de poesia
ainda tem as mesmas velhas palavras das velhas poesias do [velho livro velho.

O tesouro.
Guardada no fundo da última gaveta
deixava a imagem mais bela que já vira.
A foto dos amigos era tão emocionante quanto o tempo de [mudanças e sonhos era.

O velho álbum de fotos
ainda guarda as velhas lembranças das velhas fotos do velho [álbum velho.

O vazio.
Perdida na mais remota memória
estava a vida mais bela que vivera...
A alma de alguém era tão única quanto o tempo de medos e [sonhos era.

A velha mulher sentada na cadeira
ainda chora as velhas lágrimas da velha mulher sentada na [velha cadeira velha.

O nada.
Tudo estava esquecido...
não havia mais canção,
não havia mais versos,
não havia mais fotos,
não havia mais alma,
não havia mais sonhos,

mas... ainda havia a velha velha.




.Isaac Ruy



Poema com o qual recebi uma menção distinta no Prêmio Internacional de Poesia Nosside 2009
Isaac Ruy
Se a poesia faz refletir... a foto reflete!

12 julho 2009

Fuga

.
Cansada de tantas brigas resolveu sair de casa.
Voltou.
Esquecera de pôr o lixo para fora.


Isaac Ruy
Minha primeira contribuição para o blog coletivo nanocontos.blogspot.com.
Uma ótima idéia para partilhar arte.
Participo e indico.

11 julho 2009

Lareira

.
em
poucos
segundos
o
beijo
ardente
transformou-se
em
cinzas
retorcidas
no
fogo
incandescente

enquanto a gélida lágrima apagava a lembrança fria do instante


Isaac Ruy

28 junho 2009

Antes de ir ao baile

Vejo nos cacos do espelho
vestígios das pétalas de narciso

Tudo me parece intenso:
o ranger das pernas da cadeira,
o aroma do café amargo,
as roupas coloridas no varal...
Meus sentidos se confundem

Poucas folhas me restam nesse outono solitário

As mãos trêmulas seguram o retrato
Lágrimas, que se perdem no labirinto de rugas,
afogam-me de saudade
nessas paredes que me cercam

Reminiscências inebriam, atordoam.
Quem dera a existência fosse eterna
ou que déssemos juntos o adeus

És anjo e faço-me Ícaro.
Deixo nas palavras meu silêncio,
meu grito mudo,
e na gélida espera faço-me cinzas,
aguardando o reencontro
para dançarmos a última valsa



Isaac Ruy



Poema vencedor da Menzione Particolare del Premio Internazionale di Poesia Nosside di 2008.

22 junho 2009

Pensamentos noturnos

talvez a inspiração venha enquanto durmo...
talvez um sonho,
talvez um pesadelo,
ou talvez o descanso,
ou, ainda talvez, a paz.

Mas... se for o amor, espero estar acordado!

Isaac Ruy
nada de lápis e papel na mesa.
nada de máquina de escrever inquieta.
um computador, alguns deletes e enters, muitas idéias e - a companheira - Insônia.
Se não deitar não durmo.
Esc e Power... um riso gerundiando (O seu computador está sendo desligado)
Cama... escuro... silêncio... (...)